Família
Criando Filhos Felizes

A vida consiste na interação de duas coisas distintas: as tendências inatas do bebê e o ambiente que os pais proporcionam. No início, a interação se desenrola no lar e posteriormente prossegue nas cercanias – escola, amizades – e, claro, na existência pessoal de cada criança.

Para os bebês e as crianças pequenas, o suprimento ambiental ou fornece uma oportunidade para que ocorra o processo interno de crescimento ou, então, dificulta ou até mesmo impede que ele aconteça, podendo-se dizer que o fracasso ambiental, relativo ou total pode ser descrito em termos de destruição da confiança, imprevisibilidade, e um padrão repetitivo de quebra da continuidade de vida da criança. 

Para ser um pai suficientemente bom, este deve se sentir seguro de sua parentalidade e na relação com a sua criança – tão seguro a ponto de, enquanto é cuidadoso em relação à própria criança, não está super ansioso a respeito disso e não se sente culpado sobre não ser um pai bom o suficiente. A segurança dos pais de sua parentalidade se tornará, eventualmente, a fonte da segurança da criança sobre si mesma, bem como sobre sua futura capacidade de parentalidade. 

A despeito do fato da segurança dos pais sobre como eles lidam com suas crianças ser tão significativo para o bem-estar das crianças e o seu próprio, muitos pais devotados a suas crianças sentem que suas responsabilidades são, às vezes, muito pesadas. A tarefa mais importante dos pais é conseguir o senso do que pode ter significado para sua criança e, tomando isso como base, habilitar-se, da melhor maneira, de modo a ser mais útil para a ela e para si mesmo.           

Nossas experiências precoces com nossos pais podem tanto nos fazer crer que o mundo é basicamente acolhedor e nos aprova, quanto rejeitador e nos desaprova; que somos bons ou maus; competentes ou incompetentes; dignos ou não de amor; que seremos recompensados ou desapontados. Essas atitudes tão amplas são formadas com base em sentimentos que nunca experimentaremos tão intensamente como no tempo da infância precoce, quando nossas habilidades racionais ainda não estavam desenvolvidas e nós não podíamos compreender o significado do que nos estava acontecendo.

No caso da maior parte dos bebês e crianças pequenas, o fato de serem desejados, aceitos e amados pelas mães, pais e demais membros da família fornece-lhes o contexto no qual cada criança tem a oportunidade de se tornar um indivíduo, não apenas seguindo seu legado hereditário, mas também feliz, por ser capaz de se identificar com as outras pessoas e seu meio ambiente, agindo e contribuindo criativamente com a sociedade.


Bibliografia:
Os bebês e suas mães, D.W.Winnicott, Martins Fontes, São Paulo, 2002
Conversando com os pais, D.W.Winnicott, Martins Fontes, 1999
A good enough parent, Bruno Bettelheim, Vintage Books, New York, 1988

Marisol Montero Sendin - Médica Pediatra e Hebiatra  (FMUSP, Instituto da Criança HCFMUSP), Psicanalista Associada da Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana. 

Locais de trabalho: Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Instituto de Psiquiatria HCFMUSP e consultório particular.

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